Do poço ao topo: a história do campeão de Jiu Jitsu Julio Viotti

Campeão brasileiro de jiu jitsu Julio Viotti

A jornada de Jiu-jitsu de Julio Viotti começou aos 15 anos em MG, praticou o esporte por quase seis meses e praticamente foi expulso, por segundo o mestre na época, “não ter aptidão”. O retorno ocorreu aos 26 anos, assim que pisou no tatame sentiu a dificuldade de quem não praticava exercícios físicos e precisava superar obstáculos difíceis que desafiavam seu compromisso e testavam sua coragem. Talvez naquela época não imaginasse a grandiosidade dos títulos que iria ganhar ou disputar, mas como vamos ver no decorrer deste texto, nada veio de mãos beijadas e a lição que vamos aprender com ele é que persistência é a chave de tudo.

Além de campeão, hoje o atleta de 35 anos é educador físico, diretor de esportes e desde pequeno teve que superar a si mesmo. A primeira batalha foi consequência da toxoplasmose que a mãe teve durante a gravidez e acabou prejudicando a visão e coordenação motora fina. Com o senso de profundidade afetado acabou ficando meio desengonçado e sofrendo bullying na escola, toda sua infância era uma constante adaptação.

O que muita gente não sabe é que Julio perdeu 25% da visão do olho esquerdo e 80% da visão do olho direito, sem o óculos lutar é ainda mais difícil, chegando a perder lutas por conta do problema.

Já na vida adulta e tentando se encontrar ingressou na faculdade no curso de psicologia, seguiu por dois anos mas acabou largando. Tentou engenharia eletrônica também por dois anos, mas desistiu. A essa altura com 26 anos e cultivando péssimos hábitos alimentares, bebendo e fumando, bateu a faixa dos cem quilos.

Arquivo pessoal Julio Viotti, 2008, 24 anos.

Foi graças ao amigo do teatro em BH, Luis Andres Fossati, que Julio deu uma nova chance para o jiu. Segundo ele, foi o reencontro que mudou sua vida. Considerado o azarão do esporte, qualquer um diria que o atleta não levava jeito e segundo o próprio era um “zero à esquerda”. “Eu era pior que péssimo”, afirma.

Mas muita dedicação e mudança na rotina o levaram para uma ascensão bem rápida, causando desconfiança e ciúmes em alguns companheiros de treino que não compreendiam a velocidade de sua evolução. Já em Jacutinga na equipe do atual mestre Fabiano Morais, FFTEAM, com apenas dez meses de treino pegava a faixa azul e mesmo se sentindo despreparado correu atrás, aprendeu a dar chave de pé e lutava com pessoas mais graduadas a fim de melhorar sua luta.

Julio Viotti ataca com pressão no pé. Foto: Gabriel Srur/Santo Negro.

A primeira competição internacional aconteceu na Itália, a primeira vez que Julio saia do país, sem saber falar a língua, em um clima abaixo de 0 graus, enfrentou dificuldades e apesar delas voltou com o título de campeão europeu absoluto. “Na verdade a gente pode ser o que quiser, basta ter persistência”, ressalta.

Nas palavras de Viotti, ele é a prova viva de que persistência é a chave, começou numa idade já considerada “avançada” para o esporte, gordo e fumante. Para melhorar a desenvoltura e soltar o corpo o atleta apelou para a dança, chegando a praticar balé, jazz e dança de salão. “Nunca liguei muito para o que os outros pensam isso me ajudou muito a me destravar e evoluir. Tudo é treino”, conclui

Arquivo pessoal Julio Viotti, 2011, 27 anos.

Considerado um cara que corre atrás, mesmo sem vida social e com o tempo bastante escasso, não abre mão de passar tempo com quem ama, seja ao telefone durante horas com os sobrinhos, ou no almoço com a mãe e bate papo com o pai. O esportista sempre contou com o apoio dos entes queridos e se considera apegado à família.

Da esquerda para direita: Julio, Regina Andrade (mãe), Rafael Viotti Maldaner, Alexandre Maldaner,, Iris Viotti, Isabel Viotti Maldaner, Nivea Sampaio, Hilton Viotti (pai), Isa Viotti.

Julio Viotti nos ensina a importância de encontrar um equilíbrio saudável entre ser paciente e trabalhar duro enquanto você espera. E nos mostra que o aprendizado nunca pára. Sem o seu desejo e determinação para melhorar, todos os outros fatores mentais como, confiança, intensidade e foco, são sem sentido. Para se tornar o melhor atleta que pode ser, você deve estar motivado a fazer o que for preciso para maximizar sua capacidade e alcançar seus objetivos.

 

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