A perturbadora série da Netflix: Conversations With a Killer: The Ted Bundy Tapes

documentário netflix

Assisti neste último domingo 03/02, a série documental que vem sendo discutida durante toda semana na internet: “Conversando com um serial killer: Ted Bundy”. Ultimamente tenho visto muitos documentários do gênero na própria Netflix, e me dividido entre os vídeos do canal da Bel Rodrigues sobre criminologia que super recomendo.

Ted Bundy ficou conhecido como um dos seriais killers mais brutais da América, tendo aterrorizado uma geração de jovens mulheres com seus métodos de assassinato, estupro e necrofilia. Ele entrou inclusive, na época, para a lista dos mais procurados do FBI.

Como todo psicopata ele tinha ciência do poder da sua boa aparência e o efeito que isso causava nas mulheres – o que o ajudava a se disfarçar, além de truques como usar um gesso falso para atraí-las as até seu carro, um fusca bege muito comum na época.

Usava gola alta para cobrir uma verruga identificável no pescoço e trocava o cabelo de um lado para o outro para afastar potenciais testemunhas do seu rastro. Os detetives acharam difícil obter declarações de pessoas que poderiam tê-lo visto antes ou depois de um assassinato – porque ele parecia diferente em todas as fotos tiradas dele. Não era só o cabelo que mudava de lugar, a expressão também mudava, em certo ponto me lembra o personagem principal do filme “Fragmentado”, o que me levou a questionar se ele não sofria de dupla ou múltiplas personalidades.

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E aí entra o meu conflito interno. A defensora de Ted quando o mesmo estava no corredor da morte acreditava que uma química afeta o cérebro de criminosos bárbaros, ou que se trataria de um tumor em uma área muito complexa do cérebro. Naquela época não existia a tecnologia necessária para uma conclusão profunda, mas se fosse o caso, deveríamos mesmo responsabilizar Ted por seus atos hediondos?

Bundy era um estudante de Direito, tinha muitas namoradas, era membro dos republicanos do Estado de Washington e trabalhava para uma linha direta de prevenção do suicídio. Ele era manipulador e enganava todos ao seu redor. Mesmo depois de ser preso, conseguiu escapar da custódia duas vezes e se manteve vivo no corredor da morte, dando informações em partes e friamente calculadas. Por muitos era descrito como encantador, bonito e até sensível, mas essas coisas não poderiam estar mais longe da verdade.

Al Carlise, um dos entrevistadores de Ted lançou um livro intitulado “I’m Not Guilty: The Case of Ted Bundy”, onde ele mostra como Bundy cruzou a linha da fantasia sexual, assassinato e à necrofilia. Ele faz algumas suposições de que por exemplo, a capacidade de matar repetidamente se desenvolve através da evolução gradual de três processos primários:

1) Fantasia – a pessoa imagina cenários para entretenimento ou auto conforto;

2) Dissociação – a pessoa evita sentimentos e lembranças desconfortáveis;

3) Compartimentalização – a pessoa relega diferentes ideias e imagens a quadros mentais específicos e mantém limites entre elas.

Todos esses estágios, ao meu ver são quadros de pessoas que sofrem algum transtorno mental, então não deveriam tê-lo tratado como o doente que ele talvez fosse? Outra questão é, se ele realmente sofre de um transtorno não deveríamos ter empatia?

Segundo Brene Brown, professora de pesquisa da Universidade de Houston, neste incrível vídeo, simpatia é sobre sentir tristeza pelos problemas de alguém, mas isso não necessariamente conecta você a essa pessoa. Já a empatia deriva de dois fatores diferentes: emocional, o que significa que a empatia é desencadeada por sua bagagem, sua experiência familiar, o que você traz para a mesa, o outro é cognitivo, que é a sua perspectiva e, digamos, o quão interessado você pode estar em ouvir o lado da história de outra pessoa.

Apesar de ficar bem abalada com o detalhamento de tantos crimes brutais durante o documentário, ao final do quarto episódio, quando Ted confessou tudo que havia feito, mesmo diante daquilo me senti culpada por não odiá-lo, o sentimento em mim era de profunda pena. Eu deveria sentir empatia, mesmo quando ele não teve nenhuma por suas vítimas?

Alguns cientistas explicam que os seriais killers, não importa qual seja sua origem, têm uma anormalidade cromossômica, e por isso não sentem empatia por suas vítimas. Então prefiro acreditar que esse seja o principal fator que afeta esse tipo de pessoa, do que aceitar o fato de que alguns deles fazem isso por pura maldade e pronto.

E você o que acha?

 

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