Sobre ser a segunda opção de alguém

Quando adolescente me apaixonei perdidamente, gostava do papo, dos olhos verdes, do sorriso que eu pensava ser sincero. Mas eu não era a única, e saber disso me deixou em pedaços. Como abrir não de algo que parecia tão certo?

Me afastei…

Anos mais tarde nossos caminhos se cruzaram, e novamente eu não era a única, mas ele tbm não era. Fui tragada por uma relação doentia de mentiras, desconfianças, onde eu, era mera espectadora. Foram nove anos supurando as feridas, as mentiras. Sendo preterida, quando na verdade eu sabia, era boa demais pra ele.

Mas nos reencontramos e mesmo sem “ela” entre nós, mesmo perdoando e dando todas as chances, eu não era a primeira escolha, nunca fui. Foi então que entendi: nunca ia ser. 

Levaram quase dez anos pra eu entender racionalmente que merecia mais do que um homem pela metade, que sou boa demais e mereço ser amada de corpo e alma.  Eu me curei daqueles olhos verdes, sem imaginar que me perderia em outro sorriso, um sorriso que compartilho com outra. Que mergulhei num abraço, que não envolve só o meu corpo. Me deixando acreditar que seu pensamento só te leva pra mim.  Como me afastar te querendo tão perto e te sentindo tão meu? Foi preciso 10 anos pra me libertar de uma prisão, e um beijo pra me lançar em outra.

É tão fácil para alguém se sentir insignificante quando se tornou a segunda opção por algum tempo. É quase como uma rotina e você não sabe quando esse ciclo traiçoeiro irá se dissipar. Mesmo quando as pessoas dizem para você se concentrar em si mesmo e não tanto em um relacionamento, você ainda acaba ficando ferrado. Por algum tempo, é normal se sentir como a atriz coadjuvante em um filme, em vez da atriz principal.

Algo incrível acontece quando nos apaixonamos por alguém. É realmente como se nós caíssemos,  escorregássemos em uma casca de banana invisível e perdêssemos a compreensão de tudo ao nosso redor.  Torna-se essa combinação absurda de câmera lenta enquanto você assiste a tudo acontecer,  e então tudo fica embaçado ao extremo, é difícil ver qualquer coisa.

Sim, poderia extrair a ciência por trás dele e cuspir fatos sobre a oxitocina – um hormônio do amor. Que tem um impacto sério em todos os tipos de coisas importantes, como relaxamento, confiança e sim, você adivinhou, estabilidade psicológica.

Estamos sempre falando sobre como o amor nos deixa loucos, e isso definitivamente acontece, mas quando somos privados disso? Quando podemos ver isso ao nosso alcance, mas não importa o quanto tentemos, não podemos nos agarrar a ele? Quando estava lá e, de repente, é só … não?

Você encontrará motivos triviais para esperar ou permanecer, ou qualquer que seja o jogo em que esteja jogando. Você engolirá pequenos pedaços de orgulho quando ninguém estiver olhando e decidirá que a segunda escolha não é tão ruim assim.

Você ainda é uma escolha, certo? Você ainda é uma opção. E talvez agora, você preferiria manter isso do que nada.

Quando você faz isso, você permite que outra pessoa dite seu valor. E confie em mim quando digo, eu entendo. Há momentos em que o amor nos domina tanto que estamos dispostos a nos esconder na escuridão por isso. Nós faremos as coisas que dissemos que não faríamos. Nós vamos dizer as coisas que queimam nossas gargantas. Estamos famintos por esse amor porque não conseguimos lembrar como era antes. Agora, tudo parece pegar fogo.

Mas você merece alguém que sinta esse fogo por você. Você também merece a explosão da oxitocina que você deseja. Não é suficiente ser um personagem secundário, alguém esperando por um momento para ser visto.

Não seja a segunda escolha de alguém, porque você não conseguirá esquecer o seu lugar na fila. Mesmo quando você tenta. Mesmo quando você faz um bom trabalho de se convencer, que tudo está bem. Porque tudo não está bem. Você foi uma segunda escolha, e parte de você apenas continuará queimando quando você pensar em quem veio primeiro.

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