Ter depressão vai além de estar deprimido(a)

Depressão, pessoa deprimida

A depressão te suga, leva momentaneamente de você aquilo que é mais alegre. Ela transforma o rolê com os amigos em uma obrigação e na maioria das vezes te rouba os momentos que poderiam ser felizes. Ela é sorrateira, silenciosa e afiada. Te atropela e vc nem consegue anotar a placa.  Ela molesta a sanidade, transforma a solidão em desespero e te faz tomar decisões estúpidas que na maioria das vezes vão te prejudicar.

A depressão são todas as feridas supurando. É aquele “cola aqui”, despretensioso gritando silenciosamente socorro. E é assim, em meio à distúrbios alimentares e desilusões existenciais, que comecei a me questionar: por que essa tristeza não passa?

Desde os 16 anos eu sofro de transtorno alimentar, nunca procurei um médico e minha relação comigo mesma sempre me entristeceu. De uns meses pra cá foi como um sinal de alerta, não era um problema de auto estima que estava tirando minhas forças pra levantar da cama aos fins de semana e ir viver a vida, não eram problemas familiares ou afetivos e eu ainda não sei ao certo o que pode ser ou ter sido.

Duas pessoas próximas a mim tem depressão diagnosticada, um deles tentou suicídio e o outro estava pensando seriamente no assunto. Tudo isso mexeu muito com o meu emocional. Comecei a achar injusto me sentir daquele jeito quando conhecia pessoas que realmente tinham “problemas sérios”.

Mas quem disse que o que eu tenho não é?

Conversando com a psicóloga Juliana Picoli que atende no Espaço AlannaCorpo, Mente e Alma (espaço integrativo que une psicologia, terapias holísticas e educação), existem vários sintomas que podem caracterizar um quadro depressivo. Ela enfatiza que a depressão não se caracteriza apenas pela tristeza, porque essa é uma das emoções reguladoras do nosso psiquismo, inclusive necessária para a nossa sobrevivência. As colocações do senso comum nos levam a crer, muitas vezes, que quando uma pessoa está triste ela está deprimida, mas isso não necessariamente é verdade.

Quando você tem depressão, esses sentimentos tristes se tornam esmagadores e duradouros, afetando a forma como você pensa, como se sente e o que faz.

Depressão, estar deprimido(a)

Infelizmente essa doença afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo dados da OMS. o Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

O sintomas mais comuns da depressão são caracterizados por uma tristeza profunda, desesperança, choro fácil, sentimentos de vazio e de culpa, desinteresse e perda de prazer em situações cotidianas; diminuição do autocuidado, perturbação do sono (pode ocorrer insônia ou sonolência acentuada), modificação dos hábitos alimentares, com perda ou ganho aumentado de peso; diminuição de libido e interesse na atividade sexual; dificuldade na manutenção dos relacionamentos interpessoais e ausência de sentimento de valor. Existe, ainda, a possibilidade de manifestação de sintomas como agressividade, irritabilidade, mau humor, agitação e pensamentos recorrentes de morte.

Muitas pessoas com depressão ainda tem dificuldade e até preconceito em começar terapia e procurar ajuda. É difícil admitir quando estamos doentes emocionalmente, ainda mais quando as pessoas ao redor tentam diminuir a sua dor transformando em algo banal.

Marcelo Reina, 34 anos, professor, contou um pouco da sua história com a depressão e como lidou e ainda lida com ela. Abaixo.

“Lidar com os sentimentos de tristeza e desamparo nunca é tarefa fácil. O primeiro passo para lidar com esse momento peculiar é aceitar que sentir corresponde ao humano – e não há nada de errado com isso. Ouça seu corpo, respeite-se, acolha-se.  Para enfrentar a dor, é preciso antes de mais nada considerar que ela existe e está ali, e precisa ser acolhida para então ser tratada”, afirma Juliana Picoli.

Essa coisa do “se abra” é tão turva. o buraco é tão mais embaixo. “Se abrir” quando se está em depressão é meio como desembarcar num país de língua desconhecida e pedir informação. Por mais empatia que as pessoas tenham, a comunicação é toda truncada. são duas linhas de raciocínio ali. Não é só questão de boa vontade.

É comum que pessoas enfrentando a doença acabem desistindo da terapia. Nesses casos a psicóloga Sandra Biaggioli, 51 anos, recomenda oferecer segurança, tentar diminuir os fatores de risco no ambiente do indivíduo depressivo, ajudando-o a entender que se trata de uma doença e que ele têm apoio da família para os tratamentos necessários, tanto psicológicos quanto psiquiátricos. “O ideal é o incentivo constante, cuidados preventivos no ambiente evitando situações de risco e, muitas vezes, é necessário que alguém assuma o compromisso de acompanhar a pessoa acometida pela depressão às suas sessões terapêuticas e também em suas consultas médicas”, reforça.

A depressão não tem rosto e nem sempre é uma expressão triste. A pessoa que está ao seu lado pode estar sorrindo sem que você saiba a luta que foi pra ela sair da cama. Às vezes seu amigo(a) pode sair contigo e isso não significa que ele(a) não se importe, mas talvez naquele dia esteja difícil demais. Então procure ter empatia e se colocar no lugar do outro(s).

Depressão

 

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