Precisamos falar sobre poliamor

Ser poliamorista, não quer dizer ser bissexual. Mas uma pessoa bissexual pode ser adepta da modalidade. Particularmente nunca me imaginei em uma relação onde eu e meu parceiro pudêssemos nos relacionar com outras pessoas abertamente, primeiro porque certamente não saberia lidar com isso, segundo porque na minha visão comprometimento é entrega e entrega significa estar plenamente com o outro. Mas esse texto não é pra falar de mim, ou de como eu acho que devam ser as relações, ok?

Acredito que dentro de um relacionamento aberto, onde existe sinceridade entre ambas as partes e onde ambos estão de acordo, faz-se o que quiser. Pra isso é preciso ser bastante esclarecida e ter muita maturidade pra lidar com as consequências desse estilo de vida. Mas pra quem pensa que poliamor se trata apenas de bacanal, está enganado(a).

A prática vai muito além do sexo, se trata de conseguir conectar-se com mais de uma pessoa e sentir que por mais que exista um sentimento ninguém é dono de ninguém. Em muitas culturas em outros países é possível ter mais de uma esposa (não vamos entrar em questões machistas e falar do porque não pode o contrário).

Vamos falar de poliamor

Como monogâmica que sou, resolvi conversar com uma amiga chamada Lolla Arantes, que é adepta do estilo de vida poliamorista pra entender melhor sobre o assunto.

Lolla: Eu passei a me considerar poliamorista aos 19 anos depois de descobrir que minha dificuldade a se apegar em apenas uma pessoa tinha nome. Desde bem nova eu estava envolvida com mais de uma pessoa ao mesmo tempo de forma afetiva e isso sempre me trouxe muitos conflitos, muitas criticas. Diferente do que as pessoas pensam o poliamorista não é a pessoa da orgia, não necessariamente você fará sexo com todas as pessoas ao mesmo tempo, as relações podem ser sim separadas. Muito menos é uma relação de traição pois todas as pessoas envolvidas devem estar cientes do que acontece sendo poli ou mono.

Sempre me relacionei com pessoas mono mas nunca fui aberta pra explicar como me sentia principalmente porque não entendia completamente o que se passava comigo. Com meu atual namorado hoje é bem tranquilo, mas no começo ele não entendia muito bem. Acabamos optando por ter um relacionamento aberto assim eu posso exercer meu ‘eu poli’ e ele tbm tem liberdade para ficar com outras pessoas se quiser o que é muito justo! Nós combinamos que se eu me apaixonar por mais alguém essa terceira pessoa teria que aceitá-lo também para podermos viver a relação tranquilamente. A maior dificuldade de me relacionar com alguém mono é o ciúmes pois é um sentimento que não existe em mim e ter que se esquivar disso é muito sofrido as vezes porque eu acho que o poliamor é o amor livre, livre pra tentar, pra experimentar, pra se apaixonar loucamente e depois sentir que passou. A união do poliamorista é puramente no coração, não tem a ver com o físico, com sexo, com aliança. Isso tudo é consequência.

Abaixo, relatos de membros de um grupo de poliamor que quiseram manter sua identidade em sigilo.

Anônimo: Sempre tive facilidade em me relacionar com mais de uma pessoa, estando todas de acordo… Foi um processo muito natural desde a adolescência, mas sempre tive relações tanto mono quanto poli. Pra mim, relações poli significam o entendimento de que amor e prazer podem ser maiores quando divididos com confiança. Na idade adulta, comecei um namoro mono e depois de um tempo passamos pra poli com um acordo, depois fomos abrindo mais aos poucos, ainda estamos juntos e lidamos com isso de forma muito saudável, com bastante diálogo e respeito.

 Anônimo: Quando minha namorada se envolveu com outra pessoa e eu fiquei feliz. Já conhecia e concordava com poliamor antes disso, mas foi com isso que percebi que poderia funcionar pra mim. poliamor pra mim significa ter cumplicidade e liberdade. Já, uma vez. A culpa constante e as expectativas irreais foram o que mais me incomodaram.

Esse é o trecho de um texto que minha amiga Lolla me mandou, achei bem interessante por isso resolvi compartilhar:

“Agora eu estou bem. Sozinho, dentro dessa perspectiva monogâmica mundana. Mas vejo que não existem diferenças entre relacionamentos monogâmicos e de poliamor, de amor livre. Amamos as pessoas, nos focamos nela, e essa questão de tempo é o que realmente aproxima tudo. As lembranças, as memórias são o que importam e, o tempo que leva pra criá-las, para se tornarem relevantes a nossa vida, vai da perspectiva de cada um. Memória, logo experiência, logo amadurecimento pessoal. Independente de qual relacionamento, estamos crescendo e melhorando como pessoas. Refinando-nos.”

O diretor José Agripno produziu um documentário sobre o tema, com bastante depoimentos.

ESSE TEXTO FOI ORIGINALMENTE PUBLICADO POR MIM NO BLOG, SMARTGIRLS.

UPDATE: A entrevistada Lolla não está mais dentro de um relacionamento poliamoroso.

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