O perigo do relacionamento abusivo

Relacionamento abusivo

O que deveríamos considerar um relacionamento abusivo? Uma briga, ofensa? O que realmente entra no pacote?

Li vários relatos de pessoas conhecidas no Facebook contando experiências com relacionamentos abusivos. Mas a verdade é que nunca me questionei sobre o que era ou não aceitável pra mim quando estava dentro dos relacionamentos que tive.

Na minha cabeça eu sabia o que seria capaz de tolerar, em alguns momentos o limite era óbvio. Mas quando estamos dentro da situação, vivenciando o relacionamento acabamos aguentando muita coisa.

E quando o comportamento abusivo está camuflado, como diferenciar uma fase ruim com desrespeito contínuo e abuso psicológico?Fazendo uma busca rápida no Google sobre o assunto, abri o primeiro link que encontrei e cai em um texto do WikiHow. Nele, a lista de comportamentos nocivos era imensa. Reconheci em alguns tópicos momentos que vivenciei muito com meu ex-marido.  Em outros pontos vi um reflexo de mim mesma, em como fui abusiva em determinadas situações e me identifiquei com sentimentos que carrego até hoje.

Comecei a me questionar se o problema era eu ou as minhas escolhas equivocadas. Cheguei a conclusão de que em alguns momentos sou passiva demais, tentando evitar um confronto acabava permitindo que me tratassem com a falta de respeito que fui ensinada a nunca admitir de ninguém.

Nunca fui boa em falar sobre os meus sentimentos, apesar de ser uma pessoa muito extrovertida represo muita coisa dentro de mim. Na minha cabeça, contar para os outros sobre os problemas que enfrentava em determinado relacionamento não iria me ajudar em nada, pois só quem está dentro da situação vivenciando é que pode fazer uma análise melhor.

Por isso eu escrevo, até hoje é uma dificuldade me abrir com as pessoas e ir além da superficialidade. Então cada vez que tinha uma briga pra não explodir eu mandava mensagens pra mim mesma no Whatsapp. Loucura não? Mas era como escrever em um diário, verbalizar o meu sofrimento sempre me ajudou a refletir sobre ele.

Abaixo algumas das mensagens que escrevi pra mim mesma após as brigas com um ex-namorado.

Relacionamento abusivo  Relacionamento abusivo

 

Fui ensinada desde criança pelo meu pai a escolher quem me tratasse como princesa, a verdade é que, mesmo hoje, nunca me senti como uma. As mulheres de maneira geral são condicionadas a achar que o problema é sempre elas e comigo não era diferente. Em partes por idealizar um companheiro capaz de ver em mim alguém por quem valesse a pena dar o melhor.

Me ensinaram que não se pode ter tudo e que o “homem perfeito” não existe. Como se eu idealizasse alguém irreal, mas a verdade é, nunca fui muito ambiciosa. Quando estava na quinta série escrevi uma carta pra Deus, onde coloquei as qualidades de caráter e personalidade da pessoa que eu queria amar e que me amasse. Dentre as características: ser trabalhador, amar a família, amar a Deus acima de tudo e me respeitar. 

Os desejos de criança seguem comigo até hoje e analisando com frieza nunca encontrei quem cumprisse todos os requisitos. Não sou perfeita mas posso contar nos dedos a única vez que em um rompante de raiva perdi o controle e xinguei um namorado.

Tem coisas que só descobrimos convivendo, namorar é diferente de dividir um teto. O dia a dia pode ser avassalador para os desavisados e ainda pior quando ambos estão em páginas diferentes.

Quem nunca quis “esganar” o outro durante uma briga que atire a primeira pedra, sou humana e não estou livre desses desejos mas sempre tive o cuidado de não ultrapassar alguns limites, pois sei que faltar com respeito é um ciclo vicioso. Se acontecer uma vez e você agir com naturalidade, a chance de acontecer de novo é bem grande.

Mas se eu tenho esse cuidado, por que a pessoa que escolhi para estar ao meu lado também não pode ter? Hoje, todo mal comportamento parece justificável, mesmo os que não são.

A pessoa que diz te amar não deveria ter a capacidade de te agredir física ou emocionalmente.

Me ocorreu que nem todo abuso são marcas deixadas na face, algumas vezes são marcas que ficam entranhadas no coração.

O que você seria capaz de fazer por quem ama? Responda para si mesmo(a) essa pergunta com sinceridade. Seria capaz de melhorar as coisas que incomodam o outro(a)? Que tipos de sacrifícios faria?

Agora se questione se quem está ao seu lado faria o mesmo por você. Talvez, só talvez essa resposta seja o que precisa.

 

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