Desenhos eróticos do artista brasileiro BRÄO

BRÄO, nascido no ano de 1981, é casado e pai de uma menina chamada Sofia. Autodidata desde os dez anos de idade, se destaca principalmente pelos traços firmes e por retratar a silhueta feminina em um contexto erótico. Dentre suas milhares de ocupações, hoje é professor na Quanta Academia de Artes e ensina jovens que querem trilhar o mesmo caminho que começou. Nas palavras dele “o melhor emprego que já tive. O ambiente é muito bom, os alunos sempre são muito legais. É estimulante ver as pessoas aprendendo e evoluindo, me lembra que eu sempre serei um aluno também, para o resto da vida”.

Autor de Bad Women vol.1 e Cornücópia,  conseguiu através de um financiamento coletivo publicar Bad Women vol.2, apoiado por 396 pessoas. O livro é uma coleção dos sketches mais recentes que povoam os cadernos do autor com desenhos diários de mulheres. Também apresenta algumas peças acabadas e pinturas.

Apesar da paixão por desenho nunca teve incentivo da família, o pai sempre dizia que não dava dinheiro e não existia carreira disso por aqui. Por isso acabou saindo do país e foi estudar animação, algo que em sua visão o ajudava a se expressar artisticamente, além de dar o retorno financeiro que precisava.

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Quando você descobriu que tinha talento para desenhar?

Tenho? Rs, na verdade eu lembro quando eu descobri que não tinha talento pra desenhar, e aí eu comecei a treinar de verdade. Desenho desde criança, 10, 12 anos, mas eu era displicente, não treinava como deveria. Acabei estudando e trabalhando com animação, e nessa época eu parei de desenhar, fiquei uns 8 anos sem desenhar, quando voltei a desenhar descobri que é possível piorar, sim! Aí que eu comecei a treinar, isso foi em 2010.

Porque estudar animação ao invés de tentar algo na DC/Marvel?

Eu tentei Marvel e DC, pouco. Como eu disse, eu era displicente, não fui atrás o suficiente, não sabia ainda o quanto eu teria que me dedicar pra poder fazer algo com desenho, fui descobrir quase 20 anos depois. Animação me pareceu a saída mais fácil, dava mais dinheiro, queria minha independência também.

Na sua opinião, falta incentivo para quadrinistas independentes no Brasil?

Falta leitor, esse é o incentivo. Acho que temos um público muito legal, o leitor de quadrinhos Brasileiro é ótimo, persistente, apaixonado. Infelizmente são poucos, se tivéssemos mais, talvez desse pra viver apenas disso e aí mais quadrinistas apareceriam, com certeza.

Que tipo de incentivo precisa haver no país para estimular os jovens com habilidades artísticas?

Acho que começa em casa, na minha opinião, falta cultura no geral. Qualquer um que queira explorar seu lado artístico precisa conhecer o que já foi feito por aí, precisa ler, estimular a imaginação, acompanhar o que acontece aqui e no mundo para ter uma voz que importe, tudo isso contribui para sua evolução como artista. Mas é só uma opinião.

Como você acabou trabalhando com publicidade?

Por pura necessidade. Não tinha muito incentivo governamental para produção de séries como houve alguns anos atrás, hoje em dia já diminuiu bastante também, pelo que eu percebi. Não tinha outro lugar pra trabalhar com animação que não fosse no mercado publicitário. 7 – Você publicou Bad Women vol.1, que por sinal está bem incrível, é bem erótico. Por que seguir por essa linha? – Obrigado! Acho que a melhor resposta que posso dar é porque eu gosto. Foi por acaso que eu acabei fazendo isso, não foi algo que eu busquei. Eu desenhava muito super-herói quando era moleque, e na minha volta ao desenho, desenhar a figura feminina foi muito difícil, é difícil, é mais delicado, pergunte pra qualquer aluno de desenho, então acabei procurando treinar mais isso e acabei achando um espaço em meio a tantos outros artistas que admiro. E então quis elaborar mais e explorar o erótico, que tem o mesmo desafio. Acho que no fundo eu estava buscando um desafio e acabei achando nesses temas.

O que podemos esperar do vol.2?

Espero que uma evolução, rs. Com certeza mais páginas, mais desenhos, coloquei algumas pinturas também. Acho que ficou melhor que o primeiro, rs.

Como desenvolveu seu estilo?

Não sei, as pessoas me falam que eu tenho um estilo e eu não vejo, rs. Eu só desenho, eu parei com essa busca quando comecei a treinar pra valer, acho que ela te impede de evoluir, as vezes seu traço quer ir pra outro lugar e você fica impedindo isso com seus preconceitos. Tem que deixar o desenho sair.

Quais são suas principais influências?

Bill Sienkiewicz, Moebius, Crepax, Jeremy Mann, Soey Milk, James Jean, Giovanna Casoto, Howard Chaikin, Apollonia Saintclair, Roger Cruz, Milo Manara, Gil Elvgreen, Dave Mckean, George Pratt e a lista vai. Eu procuro acompanhar artistas que não se prendem. Nem a estilos, técnicas ou temas.

Já pensou em desenhar algo lúgubre?

Já e morri de tédio, rs. Não é pra mim.

Embora o cidadão comum não perceba, a arte está presente em seu cotidiano. De que forma você acha que a “arte elitizada”, que fica restrita a uma determinada fatia da sociedade, pode ser disseminada a um público maior?

Acho que a arte é universal, tem para todos os gostos. Se tivermos uma cultura de leitura maior, teremos mais leitores.

Você já trabalhou ou tentou trabalhar com outras técnicas, assim como outros materiais e tendências como escultura e outros?

Eu hoje pinto com aquarela também, faço paisagens e outras coisas. Já tentei escultura antes mas não me estimulou o suficiente para fazer mais, quem sabe um dia eu não tente de novo.

Como você vê o momento cultural no dia de hoje? A arte, em termos gerais, está empobrecendo ou mais uma vez cumpre com seu papel de refletir a sociedade?

Não sei se sou a pessoa ideal pra responder isso, já que o que eu faço é completamente supérfluo comparado a artistas que tem uma mensagem em sua arte, uma crítica. Em termos de quadrinhos acho que vivemos um momento legal, muita gente está fazendo e conseguindo vender. Atualmente temos muitos eventos de quadrinhos em um ano. Antigamente, tínhamos 1 a cada dois anos e olhe lá!. Claro que você pode olhar para a arte em sua volta e não gostar de nada e achar que a cultura está ficando pobre, mas acho que isso só quer dizer que você não está se identificando com o que está sendo feito no momento. Ou você espera algo ser feito pra você, ou faça você mesmo.

Você tem planos de lançar algum quadrinho?

Foto: Arquivo pessoal BRÄO

Sim! Espero que até o fim do ano eu lance meu segundo quadrinho. Espero conseguir lançá-lo em dezembro, na CCXP2017.

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