Sobre represar sentimentos

Existe algo que as pessoas no geral não gostam de admitir, se chama solidão. Sempre gostei de ficar sozinha, estar em minha própria companhia nunca foi problema. Textos na internet te dizem que você precisa aprender a ficar bem, mas o ser humano por si só é sociável e saber ficar sozinha é diferente de ser solitário.

Às vezes as pessoas rodeadas são as que se sentem mais sozinhas.

Sinto que tenho passado pela vida anestesiando as minhas dores, e isso reflete na intensidade com que externo outros sentimentos. Por exemplo, sempre que termino um relacionamento me permito lamentar por uma ou duas noites, depois disso é como se algo dentro de mim se esvaziasse e não fosse mais capaz de sentir. Nem sempre quer dizer que aquilo não teve importância, ou que não tenha significado nada. 

Sou o tipo que sempre acreditou que os afetos devem ser demonstrados quando se está com o outro. O esforço, valorização, devem acontecer enquanto se tem a oportunidade de fazê-lo. Por isso me entrego, me doou, me apaixono intensamente.  Mas quando algo chega ao fim, é porque já acabou dentro de mim. 

Não tive muitos amores, mas tive muitas paixões. É gostoso sentir aquele friozinho na boca do estômago, aquela ansiedade pueril. Permito-me cada sentimento adolescente que me tira o chão. Cada pequena alegria me invade como um tsunami e cada dor que abandono leva algo de mim.

Sofrer é para os fortes, muitos preferem sofrer com um drama conhecido a serem felizes com uma realidade nova. Eu escolho a segunda opção, se algo não me serviu antes certamente não vai me servir depois. Escolhi uma vida sem grandes dramas de novelas mexicanas,  vivendo um dia por vez. Deixando-me inundar vez ou outra quando estou no silêncio da minha sala, algumas lágrimas de descontentamento.

A gente gasta tempo demais  com coisas desimportantes. A chave pra uma vida saudável não é frango com batata doce – é se poupar de todos os excessos.

 

 

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