O que eu sou vs o que eu vejo

É fácil falar para as mulheres abandonarem os padrões de beleza impostos pela sociedade e aceitarem seus próprios corpos porque são lindas de qualquer jeito. Sinceramente, isso sempre me soou como mais uma cagação de regras.

A sociedade quer que você seja magra, a mulherada quer que você simplesmente se ame como se fosse a tarefa mais fácil do mundo. Vou contar uma coisa pra você.  Nunca me achei bonita, tenho problemas com meu corpo desde os 17 anos quando comecei a ter bulimia. No colégio eu já era magra e mesmo assim passei um mês tomando água e comendo uma torradinha pra não desmaiar. O resultado foi ouvir de um amigo que estava ficando “chupada”, que diferente do que eu achava não estava bonita muito menos atraente. 

Vomitar nunca foi uma tarefa simples pra mim, por isso comecei a pesquisar na internet meios de facilitar isso. Na faculdade conheci um remédio chamado Sibutramina, receitado geralmente pra quem tem um grau elevado de obesidade, não era o meu caso já que na época pesava 57kg. Perdi peso às custas da minha saúde. Um dos efeitos colaterais eram alterações de humor e pressão alta, algo que senti logo na primeira semana de uso, em um minuto eu estava irritada querendo quebrar coisas e no outro chorando.

Como passava mal todos os dias, acabei parando com os remédios, logo comecei a fazer academia. Dentro de mim não queria esperar pra atingir os meus objetivos, queria um corpo magro e sem esforço. Pouco tempo depois comecei a namorar e abandonei os exercícios. Após dois anos engordei, o relacionamento estava em crise,  não me sentia admirada, não recebia elogios e ainda tive que ouvir que a falta de tesão era culpa minha por ter engordado.

Aquilo acabou com a minha auto estima, não me sentia boa o bastante e também não queria continuar com alguém que não me via mais como mulher. E quem estava lá de novo pra me consolar? Ela mesma a “mia”.

Por anos sofri sozinha com o que acreditava não ser um problema tão grave assim. A verdade é que você pode fugir de muitas coisas, mas os amigos são o espelho que você não pode evitar, pro bem ou pro mal. Tive sorte de nos últimos anos ter contado o apoio de dois deles em especial que sempre buscaram me ajudar e fazer com que me sentisse melhor.

Dizem que pra essas coisas existe um gatilho emocional, pra mim era como sentir um alivio momentâneo. Naquela época fazer isso não me causava nenhum problema, com o tempo começou a prejudicar minha vida social. Me isolava, não saía com amigos de longa data pra que não vissem como meu corpo havia mudado.

Em um determinado grupo, era sempre motivo de piadas. Ouvia coisas como: “você comeu a Vivi”, “se você se jogar da janela você quica”. Meu pai até hoje me chama de baleia, de gorda. E eu sinto que não importa o quanto eu me esforce pra ficar bem, nunca vai ser bom o bastante pra ninguém. Fiquei conhecida no meu círculo de amigos como a pessoa que nunca aparece nos rolês, achavam que era preguiça, mas só não queria ser alvo das piadas que tanto me magoavam.

É fácil ser maldoso com alguém ou um amigo, sem saber a luta diária da pessoa. Não tenho mais 17 anos, talvez nunca mais volte a ter aquele corpo e sinceramente não quero. Quero ser melhor.

Vivi Leone com 19 anos

É muito fácil apontar o dedo e dizer que se é gorda porque quer. Só quem está acima do peso sabe as dificuldades diárias que enfrenta. Desde a difícil tarefa de se alimentar bem, até criar ânimo ou arrumar tempo pra fazer exercícios.

Ah ok, é mais fácil se auto sabotar, culpar os outros, não fazer nada e continuar engordando. Mas ao invés das pessoas darem ânimo, força, percebi que muita gente só quer te jogar pra baixo e isso pelo simples fato de ter o prazer de criticar.

Sempre que vou em reuniões de família o que prefiro evitar até hoje, os comentários giram em torno do meu peso. Estou longe do corpo que gostaria de ter, mas estou me esforçando pra manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios. Hoje, entendo que os resultados não são imediatos. Não entrar em uma roupa me deixa frustrada, mas ao mesmo tempo serve de combustível pra me motivar.

É engraçado que, nunca acreditei nos elogios dos outros. Alguns caras podiam até pensar que eu queria confete, como um ex-namorado chegou a dizer das fotos que posto. Quando você não se sente bem consigo mesma, não importa o quanto te achem linda e gostosa  isso é algo que você não consegue ver.

O que faço hoje é por mim, se posto uma foto mais ousada é porque naquele momento estou me sentindo bem, é como um lembrete pra mim mesma de “olha só você não está tão mal, você pode se sentir atraente”.

O que me fez querer mudar meu estilo de vida não foram os constantes comentários maldosos. Eles não me “iluminaram” de nenhuma forma. O que me fez querer mudar foi o espelho! Simples e puramente isso. O estar cansada de quem eu via e ainda vejo ali, dia após dia. Se você está nessa mesma situação, faça a TDF (terapia do foda-se) quando alguém falar algo que te desanima. Lembre-se que seus esforços são por VOCÊ! 

 

 

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