Entrevista com Rafael Albuquerque quadrinista da DC

Nunca escondi que sou super fã do Rafael Albuquerque desde o Vampiro Americano.  Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em 2015 no Batman Day, evento realizado pela Panini Comics Brasil, claro que eu dei uma tietada né gente. Ter um artista brasileiro representando tão bem lá fora é motivo de orgulho. ainda mais quando ele lança um projeto autoral tão incrível como Eight. Mas antes de falar desse projeto tão bacana aqui vai uma pequena introdução (sério, pequena mesmo) pra quem não conhece sobre quem é esse artista tão bacana.

Levi Trindade (A Lenda) e Rafael Albuquerque (O Mito) no Bat-Papo Panini especial para o Batman Day.

Uma foto publicada por Viviane Leone (@vivifacts) em

Quem pensa que esse artista de 35 anos de idade vive longe do Brasil está muito enganado(a). Ele mora em Porto Alegre e já trabalhou pra Marvel em quadrinhos como Capitão América, Uncanny X Force e Wolverine. Mas foi na DC Comics onde trabalha desde 2006 que ele conquistou reconhecimento desenhando Vampiro Americano, Batman entre outros.

Vampiro Americano

Rafael Albuquerque publicou seu trabalho autoral Eight pela editora Dark Horse, nos Estados Unidos. A história é baseada em Tune 8, webcomic que saía na seção de quadrinhos do portal IG Jovem. A história Sci-Fi mostra uma dimensão inóspita esquecida no tempo, onde o crononauta Joshua está perdido. Sem memória ou contato com quem o enviou nessa jornada, ele conta apenas com seu coração e uma voz misteriosa, que o ajuda em sua insólita missão.

Eight por Rafael Albuquerque e Mike Johnson, com arte de Rafael

Bati um papo com ele pra saber mais sobre esse quadrinho tão bacana e quais os planos para o futuro. Será que vem mais um projeto autoral por aí? Confira abaixo.

Vivi Leone: Como surgiu a ideia de criar um quadrinho autoral?
Rafael Albuquerque: Sempre achei desafiadora a ideia de escrever uma HQ sozinho. Então quando o IG me convidou para fazer parte de uma sessão de webcomics no site deles, tentei vencer o medo e fazer alguma coisa que eu achasse divertido de desenhar. Foi assim que surgiu TUNE 8, que eventualmente foi o embrião para EIGHT.

Vivi Leone: Como foi trabalhar com o Mike Johnson?
Rafael Albuquerque:
Já conhecia o Mike desde a época onde trabalhamos juntos em Superman/Batman, e foi muito divertido. Desde então queríamos voltar a fazer algo juntos. Quando a Dark Horse se interessou pelo projeto e eu senti que precisaria de ajuda com os diálogos, achei que foi a oportunidade certa para voltarmos a nos reunir. E foi ótimo. Mike é sensacional com diálogos e enriqueceu muito a história que eu havia escrito.

VL: Quais referências foram usadas na hora de desenhar/criar a história?
RA: As referências são muitas. Vários filmes mais antigos, dos quais sou fã me ajudaram a definir o que eu queria para este universo e para a história que eu estava criando. Certamente Jurassic Park, 12 Macacos, Planeta dos Macacos, Elo Perdido são referências bem óbvias.

VL: A forma com que as cores são trabalhadas são bem interessantes. Elas tem bastante importância pra estrutura narrativa que você desenvolveu para o quadrinho. Por que você escolheu essa tipo de abordagem?
RA: Quando estava fazendo a webcomic pro IG, precisava de uma solução que fosse rápida e interessante para as cores. Sempre achei que cores não tem a devida atenção nas HQs, e raramente são usadas como uma forma de narrativa. Tentei fazer algo que tornasse essas cores simples em algo fundamental para a história. Algo que fizesse das cores algo tão importante quanto o desenho.

Caras que eu respeito e admiro e que acharam meu primeiro trabalho bacana. Isso me motivou muito.

VL: Por que você escolheu o tema Sci-Fi?
RA: Bem, eu nunca havia desenhado Sci-Fi antes. Tinha curiosidade de fazer algo assim. Eu sentia também que estava ficando estigmatizado como um “artista de terror”. Gosto de variar bem as coisas que desenho para evitar esses rótulos.

VL: Os personagens são bem autônomos e com características bem marcantes. Como você elaborou a personalidade deles?
RA: Obrigado. Acho que aconteceu de forma natural. Tentei fazer personagens que eu gostasse, que achasse interessantes. Acabou saindo desse jeito.

VL: Quais das críticas sobre o quadrinho que você ouviu/leu que te impactou de alguma forma?
RA:  Acho que o que mais me impressionou foi a resposta de outros autores. Recebi mensagens de caras como Kurt Busiek, Mark Waid, Mike Allred, Sean Murphy (que aliás, escreveu um belo prefácio para a edição brasileira.). Caras que eu respeito e admiro e que acharam meu primeiro trabalho bacana. Isso me motivou muito.

VL: O que podemos esperar das próximas edições?
RA: Certamente vamos ver como as histórias de Joshua e Nila se desenvolveram anos depois do final deste volume. Algum tempo se passou e nem tudo se resolve da maneira esperada. Vamos também entender um pouco mais da origem do símbolo 8 e explicar a importância de tudo isso dentro do nosso universo.

VL: Quais as críticas que você recebeu ao lançar o Eight?
RA: O pessoal recebeu bem. Falaram bem principalmente das cores, e como foi legal usar ela como recurso criativo. Achei bem legal a recepção.

VL: O que delas você assimilou pra dar continuação ao quadrinho?
RA: A continuação já estava planejada desde a ideia original, então já temos uma idéia traçada que devemos seguir. Não acho que as críticas vão ter muita influência no resultado do próximo volume.

VL: Quantas edições serão?
RA: O plano original é contar a história do Joshua e da Nila em 3 volumes. Penso em eventualmente explorar mais este universo depois, mas com certeza com uma história diferente.

VL: Você tem planos de lançar mais algum projeto autoral?
RA: Estou trabalhando em alguns projetos, principalmente como escritor, mas nada anunciado ainda.

VL: Já passou pela sua cabeça levar seu traço pra algum projeto de animação?
RA: Eu adoro animação, mas não sinto que seja muito a minha praia. Sinto que meu habitat está nos quadrinhos mesmo. Adoraria ver algum dia uma adaptação ou algo assim, mas não é algo que eu tenha vontade de fazer.

Ivone Perez: Rafael Albuquerque quando recebeu o prêmio Eisner de melhor série na San Diego Comic Con.

Quando perguntado se sentiu tesão em desenhar algum personagem específico, confesso que esperei ele falar Batman, ele disse não ser ligado especificamente a nenhum, que gosta apenas de desenhar histórias legais. Como artista o Rafa teve a oportunidade de conhecer grandes ícones dos quadrinhos, mas em uma ocasião ele não reconheceu seu ídolo. “Teve uma vez em que eu estava no escritório da DC, e veio um cara me cumprimentar. Disse que gostava do meu trabalho. Eu agradeci e tudo, ele foi embora, e eu segui conversando com o pessoal ali. Meu editor então me interrompe e pergunta se eu sabia quem era aquele cara. Eu respondi que não. Ele disse que era o Howard Chaykin (*um quadrinista norte-americano. Ganhou o Troféu HQ Mix de 2012 pela edição brasileira de sua graphic novel Black Kiss)! Um dos artistas que eu mais curto. Tentei ver se ele ainda estava no corredor, mas ele já tinha ido embora”, lamentou Rafa.

Bem, só nos resta esperar ansiosos a continuação de Eight e torcer pra que não demore. Embora ele já tenha dito que a continuação só deve sair lá pra 2018.

 

 

 

Você também pode gostar desses posts

2 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *